Pose do Saco de batata – Afinal, fazer ou não fazer fusão de imagens?

A segurança do recém-nascido sempre foi um tema importante para os fotógrafos newborn no Brasil e no mundo. Como a fotografia não é uma profissão regulamentada por lei, à medida que esse mercado foi se desenvolvendo e amadurecendo, algumas diretrizes de segurança foram sendo estabelecidas no cuidado ao recém-nascido durante a sessão pelos profissionais mais experientes, pelos profissionais da área da saúde que entravam para esse mercado (como a Camila Calegari e eu, que antes de sermos fotógrafas atuamos por 10 anos como enfermeiras em unidades neonatais) e pela Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-nascidos (ABFRN). 

Para algumas poses, como a pose do sapinho, o cuidado com o bebê já está bem sedimentado na educação dos fotógrafos. É necessário fazer a fusão e pronto. Existem alguns profissionais que se arriscam (e junto arriscam a saúde do bebê) e não fazem? Sim, mas esse é um tema para ser abordado em outro artigo.

Em outras poses, como a pose do saco de batata, essa regra não é tão clara. Existem duas frentes muito bem definidas entre os fotógrafos. Existe um grupo que não utiliza a fusão de imagens e o grupo que prefere fazer a foto com a fusão de duas imagens. E o tema pode promover discussões calorosas já que ambos os grupos têm justificativas muito coerentes.

Primeiro vamos considerar os possíveis riscos na realização dessa pose.

  • Quando a amarração do wrap está muito apertada existe a possibilidade de diminuição da capacidade de expansão pulmonar do bebê. É a mesma situação que acontece quando uma pessoa usa uma roupa muito apertada no tórax. A respiração fica curta e difícil. O mesmo acontece com o recém-nascido.
  • O ambiente é aquecido a uma temperatura média de 29 graus durante o ensaio newborn. Essa é uma boa temperatura média se o bebê estiver sendo fotografado sem roupas. Se ele estiver enrolado em um ou mais wraps essa temperatura ambiente precisa ser diminuída e muitas vezes isso não é observado. Assim, existe o risco de superaquecimento do bebê que pode levar à febre e desidratação.
  • O recém-nascido ainda não tem estrutura óssea e muscular para sustentar o peso da sua cabeça, que representa um terço do seu peso. O desenvolvimento ósseo e muscular acontece ao longo dos 12 primeiros meses da vida do bebê, quando ele começa a sustentar o peso da sua cabeça, em seguida se senta sozinho, engatinha e anda. Assim, quando o bebê é colocado na vertical para a foto do saquinho de batata, existe o risco de lesão da sua coluna cervical.
  • A traqueia do bebê é ainda muito fina, macia e flexível. Se o pescoço do bebê fica muito flexionado ou muito estendido a passagem do ar fica comprometida, o que pode causar o que chamamos de asfixia posicional ou asfixia postural.

O grupo de fotógrafos que faz essa pose sem a fusão de duas imagens justifica que a segurança do bebê está preservada pois o tipo de ¨amarração¨ que é feito promove a sustentação da coluna cervical do bebê, evitando risco de lesão. Além disso, ela não é apertada o suficiente a ponto de causar diminuição da capacidade de expansão pulmonar.

É possível que um profissional faça essa foto sem fusão de duas imagens e ainda assim consiga manter a saúde do bebê? É possível sim.

O difícil é identificar exatamente qual é esse limite. O quanto eu posso (ou não posso) apertar o bebê no wrap? Será que essa amarração é suficiente para não contribuir com uma lesão do pescoço do bebê? Ou é necessário dar mais sustentação? Será que a posição do pescoço está correta ou posso causar uma asfixia nesse bebê?

Será que conseguimos ter essa medida e passar essa informação com segurança para todos? Não, infelizmente não é possível.

Assim, diante dos riscos e da dificuldade de passar informações que só vem com muitos anos de experiência, preferimos pecar pelo excesso e orientar: sim, para a pose do saco de batata é necessária a fusão de duas imagens.

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Sobre Gabi Abreu

Gabi Abreu é fotógrafa do estúdio SiS foto e design, enfermeira especialista em bebês e crianças e diretora da ABFRN